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João Vitor: encontro com o mar


A postagem de hoje traz uma crônica escrita por Murilo Lima sobre o dia que  nosso paciente João Vitor entrou no mar pela primeira vez sozinho. Foi lindo, foi emocionante e certamente um dia inesquecível. Vale leitura!



Um Sonho de Distância

por Murilo Aparecido Lorençoni Lima

O mar exerce fascínio nos olhos humanos. Desde o Velho Mundo, onde as grandes expedições saíram da Torre de Belém em Portugal e chegaram ao Brasil, até as pequenas expedições do Mundo Moderno (agora chamadas de excursões) que saem de Regente Feijó e chegam em Balneário Camboriú, todas elas são atraídas pelos mistérios do mar. Todos nós, em certo momento, nos rendemos aos domínios de Poseidon.

O mar fisgou os olhos do pequeno regentense João Vitor, que tem como único defeito ser corintiano de carteirinha. Quando ele soube que iria ser mais um dos viajantes em busca do mar imediatamente começou a fazer todos os planos para o grande encontro.  Os planos de João Vitor desencadearam as preocupações do seu pai, (também João). Para João Vitor navegar no mar, ele precisa de uma embarcação especial, que não enferruje com o abraço das águas salgadas, que seja capaz de andar na areia e na água ao mesmo tempo. Um transporte diferente para essa aventura diferente, ou como os homens comuns preferem chamar: uma cadeira de rodas anfíbia.


Quando se tem uma cabeça cheia de sonhos, tudo aquilo que você quer, por vezes, está exatamente a um sonho de distância. No caso, um sonho de entrar no mar. E nesse sentido, como diria o escritor J. R. R. Tolkien: Quando vontade não falta, caminhos se abrem.

O caminho era meio longo, cerca de 771,0 Km até Balneário Camboriú, já o tempo era curto: uma semana para construir uma cadeira anfíbia, com material limitado, pois o preço da original é tão salgado quanto o mar em questão (Ah, o mar!).

Tal como Dédalo, o pai e inventor grego responsável por dar asas a Ícaro, João (o pai) começou o árduo trabalho de unir imaginação e material limitado para viabilizar uma vontade. Ícaro queria voar perto do sol, João Vitor queria apenas estar perto do mar.

No dia 10 de Janeiro de 2016, depois de 14 horas de viagem, a pequena expedição do capitão João Vitor chega ao mar. Nem preciso lhe dizer que nessa embarcação especial, se molhar um pouquinho não é problema, o importante mesmo é o mar. (Ah, o mar!)

Nos livros de Tolkien, por detrás de toda a fantasia, a grande lição de moral é que quem tem amigos enfrenta os grandes exércitos da história. Não sei como o João Vitor anda de amigos, mas certamente, com um escudeiro homônimo desses ele pode lutar algumas boas batalhas.

A vida é um fluxo de pessoas indo e vindo. Trombamos nelas, deixamos algo, levamos algo, e talvez isso responda o fascínio pelo mar. Quando a maré abaixa, se você procurar bem na orla, pode encontrar histórias como essa, souvenires que as ondas esquecem para trás. O mar, sem pressa, traz conchas, pedregulhos e prosa. Talvez os grandes conquistadores queriam apenas ouvir os contos do mar.


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