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NeuroStimulus

A OMS (Organização Mundial de Saúde) conceitua Saúde como um estado dinâmico de completo bem-estar físico, mental, espiritual e social, abrangendo diversos domínios do contexto humano e se distanciando da ultrapassada ideia de ausência de doenças como antes propagada. 

A transição dos modelos Biomédico para o Biopsicossocial representa um grande avanço, sendo caracterizado pelo surgimento de serviços mais diferenciados e abrangentes, levando em conta também os aspectos psicológicos, sociais e biológicos, bem como uma atuação multiprofissional em ações interdisciplinares e com o enfoque na funcionalidade do ser humano que contribuiu para uma nova sistematização da informação em Saúde. 

O protocolo de atendimento NeuroStimulus vem exatamente nesta direção e está em constante desenvolvimento. Tem como objetivo implementar uma rotina de atendimento padronizada e de acordo com a CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde) proposta pela OMS.

A CIF baseia-se em um modelo de estado de saúde, no qual as informações são codificadas e qualificadas em funcionalidade ou incapacidade, representando concepções de atenção à saúde em formato biopsicossocial. 

O método NeuroStimulus quando devidamente aplicado em conjunto com a solução tecnológica homologada estabelece um novo patamar de atendimento. Possibilita modelar um perfil de funcionalidade com base na capacidade e no desempenho do paciente.

A partir deste perfil, dentro do plano de tratamento, o fisioterapeuta dimensiona metas/objetivos para sua intervenção, de acordo com as incapacidades apresentadas, compreendendo fatores ambientais e pessoais, bem como a estrutura e a função do corpo. A documentação do protocolo inclui a gravação de vídeos que possibilitam verificar as deficiências primárias e secundárias do paciente e sua evolução de forma periódica. 

A aplicação do protocolo NeuroStimulus baseia-se em conceitos científicos, como: a neuroplasticidade cerebral, periodização e treinamento na habilitação e reabilitação, a metacognição e na teoria dos sistemas.

O ponto de partida para o desenvolvimento do protocolo foi a criação de uma equipe dentro da clínica Neurofisio Intensiva de Presidente Prudente/SP, sob o comando da especialista em Fisioterapia Neurofuncional Infantil (título outorgado pelo COFFITO – Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional) Vanessa Macorini, que também é pós-graduada em Reabilitação Neurológica Infantil pela Unicamp (Universidade de Campinas). 

Inicialmente os pesquisadores investigaram técnicas e equipamentos de tecnologia assistiva usados no tratamento dos distúrbios cinéticos funcionais e catalogaram os exercícios segundo sua indicação terapêutica. O cruzamento do banco de dados dos exercícios catalogados com as informações do paciente obtidas da avaliação à reavaliação – geram informações que indicam ao fisioterapeuta um caminho a seguir evidenciado a partir de dados concretos e reais. 

Em resumo: o protocolo NeuroStimulus permite acrescentar a experiência do fisioterapeuta, uma prática clínica padronizada na CIF, alicerçada na coleta dos dados, planejamento, aplicação do tratamento, documentação, evolução do quadro do paciente e análise dos dados. Um modelo de atendimento que visa uma análise global do paciente não centrada apenas no corpo adoecido, mas sim na pessoa que integra uma população em um meio social influenciado pelas atividades e participações individuais e coletivas. 

Para viabilizar a aplicação do método NeuroStimulus uma ferramenta tecnológica foi projetada. A solução é capaz de receber em tempo real e de forma permanente os dados coletados durante a rotina de atendimento do fisioterapeuta, permitindo integrar ao prontuário eletrônico do paciente métricas e indicadores de acompanhamento do tratamento, seguindo parâmetros de sistemas internacionais de informação em Saúde. 

Com o compromisso de respeito ao sigilo (criptografia) dos dados pessoais dos pacientes e fisioterapeutas  e seguindo os parâmetros deste protocolo, a ação de converter as atividades realizadas em cada tratamento em informação vai possibilitar no futuro com o uso da inteligência de dados estabelecer o compartilhamento de experiências de casos semelhantes extraídos da base de dados coletiva. Cabe ressaltar que uma nova versão da solução já está em desenvolvimento e o projeto foi selecionado entre 40 inscritos para o Programa de Aceleração de startups da Fundação Inova Prudente de Presidente Prudente/SP. O objetivo é disponibilizar a solução ao mercado no primeiro semestre de 2021.  

Para concluir é importante dizer que este método com o uso da tecnologia possibilita uma melhor condução do atendimento de forma individual ou em equipe. Pois permite acompanhar a evolução do paciente quase que em tempo real.  Personalizando o tratamento e dando uniformidade à prestação. Diminuindo inconsistências e aumentando a assertividade, ou seja, condições favoráveis para potencializar os resultados do tratamento. 

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