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Protocolo NeuroStimulus

A OMS (Organização Mundial de Saúde) conceitua Saúde como um estado dinâmico de completo bem-estar físico, mental, espiritual e social, abrangendo diversos domínios do contexto humano e se distanciando da ultrapassada ideia de ausência de doenças como antes propagada. 

A transição dos modelos Biomédico para o Biopsicossocial representa um grande avanço, sendo caracterizado pelo surgimento de serviços mais diferenciados e abrangentes, levando em conta também os aspectos psicológicos, sociais e biológicos, bem como uma atuação multiprofissional em ações interdisciplinares e com o enfoque na funcionalidade do ser humano que contribuiu para uma nova sistematização da informação em Saúde. 

O protocolo para tratamento neurofuncional NeuroStimulus vem exatamente nesta direção e está em constante desenvolvimento. Tem como objetivo implementar uma rotina de atendimento padronizada e de acordo com a CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde) proposta pela Organização Mundial da Saúde. 

Como orienta o COFFITO (Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional), desde 2009, cuja resolução estabelece que os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais devem incorporar a CIF, que é Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde na sua assistência, como recomenda a OMS.  

A CIF baseia-se em um modelo de estado de saúde, no qual as informações são codificadas e qualificadas em funcionalidade ou incapacidade, representando concepções de atenção à saúde em formato biopsicossocial. 

O protocolo NeuroStimulus quando devidamente aplicado em conjunto com a solução tecnológica homologada estabelece um novo parâmetro de atendimento. Pois, possibilita modelar um perfil de funcionalidade com base na capacidade e no desempenho do paciente.

A partir deste perfil, dentro do plano de tratamento, o fisioterapeuta dimensiona metas/objetivos para sua intervenção, de acordo com as incapacidades apresentadas, compreendendo fatores ambientais e pessoais, bem como a estrutura e a função do corpo. A documentação do protocolo inclui a gravação de vídeos que possibilitam verificar as deficiências primárias e secundárias do paciente e sua evolução de forma periódica. 

A aplicação do protocolo NeuroStimulus baseia-se em conceitos científicos, como: a neuroplasticidade cerebral, periodização e treinamento na habilitação e reabilitação, a metacognição e na teoria dos sistemas.

O ponto de partida para o desenvolvimento do protocolo foi a criação de uma equipe dentro da clínica Neurofisio Intensiva de Presidente Prudente/SP, sob o comando da especialista em Fisioterapia Neurofuncional Infantil (título outorgado pelo COFFITO) Vanessa Macorini, que também é pós-graduada em Reabilitação Neurológica Infantil pela Unicamp (Universidade de Campinas). 

Portanto: o protocolo NeuroStimulus permite acrescentar a experiência do fisioterapeuta, uma prática clínica padronizada na CIF, alicerçada na coleta dos dados, planejamento, aplicação do tratamento, documentação, evolução do quadro do paciente e análise dos dados. 

Um modelo de atendimento que visa uma análise global do paciente não centrada apenas no corpo adoecido, mas sim na pessoa que integra uma população em um meio social influenciado pelas atividades e participações individuais e coletivas. 

Para viabilizar a aplicação do protocolo NeuroStimulus uma ferramenta tecnológica foi projetada. A solução é capaz de receber em tempo real e de forma permanente os dados coletados durante a rotina de atendimento do fisioterapeuta, permitindo integrar ao prontuário eletrônico do paciente métricas e indicadores de acompanhamento do tratamento, seguindo parâmetros de sistemas internacionais de informação em Saúde. 

Com o compromisso de respeito ao sigilo dos dados pessoais dos pacientes e fisioterapeutas; e seguindo os parâmetros deste protocolo, a ação de converter as atividades realizadas em cada tratamento em informação vai possibilitar no futuro com o uso da inteligência de dados estabelecer o compartilhamento de experiências de casos semelhantes extraídos da base de dados coletiva. 

Cabe ressaltar que uma nova versão da solução já está em desenvolvimento e o projeto foi selecionado entre 40 inscritos para o Programa de Aceleração de startups da Fundação Inova Prudente de Presidente Prudente/SP. O objetivo é disponibilizar a solução ao mercado no primeiro semestre de 2022.  

Como o protocolo NeuroStimulus é um método novo ainda não há estudos científicos sobre o tema, muito embora, a prática clínica e os próprios médicos indicam o método para seus pacientes porque acompanham a evolução deles, ou seja, o caso concreto – como indica em parecer a ABRAFIN (Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional).

A associação defende que devem ser considerados como indícios de evidências o estudo de caso, relato de caso e série de casos: “não podemos deixar de ressaltar que, embora importantíssimas, as evidências científicas não são a única fonte de informação para se traçar o plano terapêutico. Os ensaios clínicos randomizados e controlados na área da fisioterapia neurofuncional são difíceis de serem realizados, e poucos possuem uma amostra suficientemente grande e homogênea (considerando a CIF sabemos que homogeneidade não significa que todos apresentam as mesmas incapacidades biopsicossociais). Inclusive vem acontecendo um movimento internacional que os ensaios clínicos randomizados por comparação de grupos, padrão ouro de evidência importado dos estudos farmacêuticos, não sejam o ideal para as pesquisas que envolvam o comportamento motor humano (Sackett 2000b, Sackett 2001).  Diante disso, estudos com delineamento metodológico de estudos de caso, relatos de caso e série de casos devem ser considerados como indícios de evidências. Assim, para fornecer recomendações com base nas melhores evidências científicas disponíveis sobre “melhores práticas”, a comissão cientifica da ABRAFIN elaborou um parecer sobre Estimulação precoce e Microcefalia, de 29 de janeiro de 2016, onde a ABRAFIN destaca que a prática baseada em evidências, que preconiza o uso da melhor evidência científica associada à experiência clínica do profissional e às perspectivas e preferências do paciente (SACKETT et al. 2000)”.

Importante dizer que este método com o uso da tecnologia possibilita uma melhor condução do atendimento de forma individual ou em equipe. Conforme dispõe a Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional: o fisioterapeuta é o único profissional da saúde habilitado a prescrever a conduta fisioterapêutica dos seus pacientes, cabe a este profissional escolher os métodos, técnicas e recursos a serem utilizados com cada um de seus pacientes, no momento que julgar mais apropriado, visando facilitar os ganhos funcionais. A Cinesioterapia intensiva, associada ao feedback aumentado, estímulos sensoriais, atividades lúdicas e motivadoras, são a chave para um tratamento de sucesso. Não podemos obviamente excluir a importância da família e as preferências dos pacientes neste processo. 

Em síntese: o protocolo NeuroStimulus visa estabelecer um padrão de tratamento neurofuncional com base no modelo conceitual da CIF/OMS. Se propõe ainda a facilitar a aplicação por meio de um programa de computador. Interferindo de forma positiva na prática terapêutica: qualificando a prestação do serviço, personalizando o tratamento e reduzindo ineficiências, ou seja, condições favoráveis para aumentar a assertividade e consequentemente potencializar os resultados.

Última atualização: setembro de 2021

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